Após enfrentar uma sequência de quedas intensas nos últimos dias, o mercado do açúcar ensaia uma leve recuperação nesta sexta-feira (13). Em Nova Iorque, o contrato com vencimento em março de 2026 é negociado a 13,83 cents de dólar por libra-peso, registrando uma valorização de 0,58%, enquanto em Londres a reação é mais consistente, com a commodity cotada a US$ 382,00 por tonelada (+1,57%).
Apesar do respiro momentâneo, a tendência estrutural apontada por analistas permanece de baixa. Segundo Maurício Muruci, da Safras & Mercado, ainda há espaço para novas desvalorizações, com a possibilidade real de o contrato em Nova York recuar para a faixa crítica entre 12 e 12,50 cents. O pessimismo é sustentado pela perspectiva de um robusto excedente global: o USDA já sinaliza um superávit de 11 milhões de toneladas, reduzindo o interesse financeiro pelos papéis. Além disso, fatores na Ásia pressionam a oferta, como a revisão da safra chinesa para 11,7 milhões de toneladas (acima do esperado) e a nova política da Tailândia de reduzir em 50% o açúcar em bebidas, o que deve diminuir o consumo interno daquele país e liberar mais produto para exportação.
Diante do derretimento dos preços da commodity, a recomendação é uma virada estratégica para o biocombustível. Muruci destaca que o etanol remunera atualmente cerca de 46% a mais do que o açúcar em Nova York. "O foco tem que ser o etanol", alerta o analista, ressaltando que as usinas que travaram preços (hedge) entre 17 e 19 cents no ano passado estão protegidas e podem administrar seus contratos, mas aquelas sem proteção devem migrar a produção imediatamente para o álcool para garantir margem.