Agrolink - Leonardo Gottems
De acordo com Lázaro Paz, Coordenador em Produção Agropecuária na AGROZOOTEC, muitos pecuaristas ainda não percebem a importância de um manejo adequado das pastagens para garantir maior produtividade e sustentabilidade. Em uma viagem ao Pará no ano passado, ele visitou uma propriedade onde os pastos estavam bastante degradados. Ao sugerir ao produtor a necessidade de cuidados com a pastagem, recebeu uma resposta surpreendente: o proprietário afirmou que seus pastos tinham 37 anos e nunca precisaram de “frescuras”, pois sempre suportaram a criação de gado sem grandes problemas.
Essa mentalidade, segundo Paz, contrasta com a dos produtores de grãos, que tratam o solo como um ativo valioso. Agricultores de soja e milho investem em adubação, rotação de culturas, irrigação e controle de pragas para maximizar sua produtividade. O mesmo raciocínio poderia ser aplicado à pecuária, onde o pasto deve ser encarado como o principal produto. Estratégias como adubação do solo, rotação de pastagens, irrigação e controle de pragas podem resultar em uma alimentação mais nutritiva para o gado, melhorando o ganho de peso e a qualidade da carne.
Além dos ganhos produtivos, um manejo mais eficiente do pasto também reduz custos a longo prazo e torna a pecuária mais resiliente a variações climáticas. Essa abordagem agrícola na criação de gado pode elevar a competitividade do setor, tornando-o mais sustentável e rentável. Ao adotar técnicas já consolidadas na agricultura, os pecuaristas podem transformar suas propriedades, garantindo um futuro mais promissor para a atividade.
“Em última instância, essa visão mais "agrícola" do manejo da pecuária pode elevar o patamar de competitividade e sustentabilidade do pecuarista. Assim, a produção de gado e a de grãos podem compartilhar mais semelhanças do que se imagina, cada uma tirando lições valiosas da outra”, conclui.