Saiba como recuperar pastagens degradadas

Dicas para recuperar pastagens degradadas.

Algumas mudanças simples nas práticas de manejo das pastagens podem elevar a produtividade do rebanho.

A degradação das pastagens é um dos principais problemas enfrentados pela pecuária brasileira. Estima-se que o país possui 180 milhões de hectares de pastagens disponíveis para a alimentação dos animais, mas 50% dessa área apresentam algum tipo de degradação, muitas em estágio bastante avançado.

A situação é de extrema gravidade e precisa ser vista com muita atenção pelos pecuaristas. “No Brasil, a maioria do rebanho bovino é criado a pasto, que é a forma mais barata e prática de produzir e oferecer alimentos para os ruminantes”, afirma Moacyr Bernardino Dias-Filho, pesquisador da Embrapa, em Belém (PA), e especialista em degradação de pastagens.

Produtividade abaixo do esperado

Segundo ele, apesar da pecuária brasileira ter evoluído nas últimas décadas, a produtividade média das pastagens ainda está muito aquém do seu potencial. A recuperação dessas áreas, afirma Moacyr, pode melhorar muito a eficiência do setor. “Costumo dizer que a recuperação de pastagens degradadas, seria ‘a luz no fim do túnel’ para aumentar a produtividade e sustentabilidade da pecuária brasileira”, diz.

Confira as dicas para recuperar essas áreas degradadas, visando garantir um aumento da produtividade e, por consequência, dos ganhos dos pecuaristas:

1 – Saiba o que causa a degradação

A degradação pode ocorrer por diversos motivos, mas o principal é o manejo inadequado pelos produtores, como colocar mais animais do que a pastagem pode aguentar, má formação inicial – adubação e preparação incorretas, além da escolha errada de forrageiras – e práticas antiquadas, como o uso rotineiro de queimadas para limpar áreas e excesso de roçadas.

2 – O que significa pastagens degradadas?

O produtor precisa entender o que significa a degradação do pasto. Essencialmente, um pasto degradado é aquele que perdeu a capacidade de recuperação natural, ficando incapaz de oferecer nutrição adequada aos animais e com pouca força para lidar com pragas, doenças ou plantas invasoras.

3 – Como diagnosticar o problema

Segundo o pesquisador da Embrapa, alguns dos sinais que indicam degradação são a diminuição da capacidade de suporte da pastagem (que significa o número de animais ou carga animal que pode ser mantida no local, sem prejuízo para a pastagem e para o rendimento animal) e o aumento no percentual de plantas daninhas e de solo descoberto. Além de identificar que a pastagem está com problemas, o produtor precisa verificar qual é o nível de degradação, pois isso definirá a estratégia adequada de recuperação das terras.

4 – Como reverter a degradação?

Casos mais simples podem ser resolvidos através de pequenas alterações no manejo, com a adoção de práticas mais adequadas, como melhorar a adubação, não promover queimadas e garantir um número menor de animais em cima das forrageiras.   Já situações em que a degradação está em estágio mais avançado pedem intervenções mais profundas, além de correções no manejo, como a recolocação do pasto. Este ponto exige grande atenção dos produtores, pois a nova forrageira precisa estar de acordo com as características da região onde a fazenda se localiza e ser capaz de atender adequadamente as necessidades do rebanho. “Cada planta forrageira se adapta melhor a determinada condição ambiental ou de manejo. Portanto, o produtor deve primeiro avaliar qual condição será capaz de oferecer ao capim, para depois escolher qual capim plantar”, diz Bernadino.

5 – Pasto também é cultura agrícola

O pesquisador da Embrapa ressalta a importância de os pecuaristas buscarem o máximo de conhecimento sobre como manejar o pasto. “É necessário quebrar o paradigma de que pasto não é uma cultura agrícola, com carências particulares de manejo e que pode ser mantido produtivo apenas gerido pelas leis da natureza, sem uso de adubação, ou cuidado com a altura de pastejo adequada para o tipo de capim, por exemplo. A regra fundamental é que o pasto é uma lavoura de produção de forragem, e como tal tem que ser tratado”, afirma.

Fonte: Agron